A coragem de discordar: uma lição sobre liderança e autoconfiança

Ainda era minha primeira semana no grupo de WhatsApp das coordenadoras. No primeiro dia, recebi as boas-vindas e, enquanto lia as mensagens, senti como se tivesse atravessado um portal para outro universo.

A maior campanha de marketing do ano aconteceria em novembro, mas já precisávamos estruturar a estratégia. A gerente do departamento compartilhou o briefing da campanha, com lettering e outros elementos visuais, e pediu a opinião de todas.

Uma a uma, as coordenadoras foram elogiando a proposta:

— Amei! — disse a primeira.

— Está tudo perfeito! Com certeza todos vão amar essa identidade! — comentou outra.

Enquanto lia aquelas mensagens, senti meu coração acelerar.

Vou discordar delas logo na minha primeira semana?

Duas memórias me atravessaram como um raio. Uma de quando eu tinha seis anos. Outra da época da faculdade.

A pequena Barbara sempre foi esperta e adorava estudar. Mas, naquele dia, durante uma prova de matemática do segundo ano do fundamental, cometi um erro que nunca esqueci. Olhei para o lado e vi que as respostas da minha colega eram diferentes das minhas. Hesitei. E, com medo de errar, apaguei as minhas respostas e copiei as dela.

Quando recebi a prova corrigida, veio o choque: minha primeira nota vermelha. As respostas que eu havia apagado estavam todas certas.

Já na faculdade, existia o costume de discutir as respostas depois das provas. Eu fugia dessas conversas, ia direto para a lanchonete ou para qualquer outro lugar. Mas, após a prova mais difícil da minha vida — Literatura Brasileira —, decidi ficar e ouvir. Foi um déjà vu. Minhas respostas eram as únicas diferentes.

Fui embora no ônibus, chorando de raiva. Me sentindo burra.

O plot twist? Eu fui a única da turma a tirar nota azul. O restante ficou de recuperação.

E agora, ali no grupo de WhatsApp, as coordenadoras elogiavam unanimemente uma identidade visual que, para mim, simplesmente não funcionava.

Eu sabia o que precisava fazer.

Fui a única a discordar. Expus meus argumentos, expliquei por que aquela identidade não era a melhor escolha.

No final, fui voto vencido.

Mas, naquele dia, afirmei pela primeira vez meu valor como coordenadora. Minhas ideias não vinham só de mim, mas da minha equipe. Ficamos tristes por não sermos ouvidos, mas, para minha surpresa, o respeito entre nós — e entre as coordenadoras — cresceu.

A Barbara de sete anos e a de vinte e um me ensinaram uma lição valiosa: na guerra da comparação, não existem ilesos.

A importância da autenticidade na liderança

Discordar nem sempre é fácil, especialmente em um ambiente profissional. Mas a liderança exige coragem para expressar ideias, defender pontos de vista e, muitas vezes, ir contra a manada.

Em um mundo onde a autenticidade se torna um diferencial, saber sustentar sua opinião é essencial para se destacar.

Se há verdade no seu coração, você se sentirá recompensada — independentemente do desfecho.


Essa crônica foi extraída diretamente da newsletter Crônicas do Ordinário Extraordinário. Toda quinta-feira, às 11h30, envio uma nova história como essa, compartilhando experiências reais sobre liderança e as lições que tirei de cada situação. Se você deseja receber essas reflexões também, será muito bem-vinda! 

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