Como aquilo que você acredita silenciosamente pode estar definindo sua liderança sem você perceber

Quando estruturei a minha mentoria de liderança, não imaginava que a sessão mais amada seria sobre crenças.

A partir da minha experiência, percebo que o interesse por esse tema está diretamente ligado à potência que ele tem de mudar o seu nível em diversas áreas da vida: relacionamentos, carreira, finanças… Porque, ao identificar suas crenças, você encontra seu modus operandi.

Mas, afinal, o que é crença?

Crenças são percepções profundas que moldam a forma como enxergamos a realidade.
São verdades que internalizamos ao longo da vida — muitas vezes sem perceber — e que passam a reger nossos pensamentos, decisões e comportamentos, mesmo quando não correspondem aos fatos. E o mais surpreendente: tudo é crença.

Nosso cérebro é como um computador com uma capacidade gigantesca de armazenamento.

Ao longo da vida, ele organiza as experiências em categorias e atribui significados. Esses significados, por sua vez, se transformam em verdades pessoais e essas “verdades” determinam a forma como reagimos, escolhemos, nos posicionamos…
Em outras palavras: o que você acredita profundamente molda o que você vive.

Você deve ter assistido ao filme Divertidamente 2. É muito parecido com o “senso de si” da Riley.

Cenas extraídas do filme "Divertidamente 2"

Esse conjunto de verdades é o que Don Miguel Ruiz chama de Livro da Lei:

“O sistema de crenças é como o Livro da Lei que regula nossa mente. Tudo que estiver escrito nele é verdade inquestionável. Baseamos nossos julgamentos segundo suas páginas, ainda que esses julgamentos e opiniões sejam contrários à nossa natureza.”


Crenças fortalecedoras × Crenças limitantes

Existem dois tipos principais:

  • As fortalecedoras, que te impulsionam, sustentam seu crescimento e te ajudam a conquistar o que deseja;
  • E as limitantes, que te mantêm em ciclos repetitivos de sabotagem, estagnação e vitimismo.

Na vida, as duas coexistem, mas, na liderança, as limitantes se tornam mais perigosas — porque seus efeitos se ampliam e atingem não só você, mas toda a sua equipe.

É aí que entra um conceito brilhante do sociólogo Robert Merton: o das profecias autorrealizáveis.

“Uma definição inicialmente falsa, que incita determinado comportamento e faz com que a definição original se torne verdadeira.”

Merton observou que, quando surgia o boato de que um banco ia quebrar, as pessoas corriam para sacar o dinheiro — e o banco, de fato, quebrava.
Ou seja, uma mentira se tornava realidade por causa do comportamento que ela gerava.

E com as crenças limitantes é exatamente assim. Entendeu?


O perigo das crenças na sua liderança

Quem lidera tem o peso das próprias ações amplificado.
O esquecimento de um “bom dia” pode gerar mal-estar na equipe, enquanto o mesmo comportamento, vindo de um colega de sala, vira piada.

Agora imagine um líder que não tem clareza do que acredita?
É como tentar conduzir um time com a bússola desregulada

A seguir, compartilho três crenças limitantes muito comuns entre líderes que atendo — e talvez você se veja em alguma delas.


1. “Liderar é carregar o peso de todas as decisões”

Ela chegou cansada.
Reclamava que sua equipe era “mole”, que ninguém fazia nada sem seu aval.
Perguntei qual era sua atitude diante disso. Ela respondeu que dava o comando ou fazia o que os outros deveriam ter feito.
Fui mais a fundo: “Como funciona o processo criativo por aí?”
“Eles até falam, mas eu escolho. As ideias deles não são muito boas.”

Ficou claro: por trás da sobrecarga, havia a crença de que liderar é assumir sozinha todas as responsabilidades. Sim, líderes são cobradas por decisões, mas isso não significa que precisam pensar e agir por todos.

Líderes que tentam resolver tudo sozinhas prejudicam a si mesmas e à equipe.
A falta de delegação revela uma falha na formação do time.
Delegar é um ato de confiança e desenvolvimento — não de fraqueza.


2. “Se eu demonstrar vulnerabilidade, vão achar que sou fraca”

Ela vinha enfrentando crises intensas de enxaqueca.
Quanto mais dor sentia, mais distante da equipe ela se tornava.
Perguntei o motivo. A resposta foi automática: “Se eu for fraca, eles montam em cima.”

Essa é uma das crenças mais enraizadas entre líderes — especialmente entre as mulheres.

A verdade é que ser vulnerável não é ser fraca. É ser humana.
Recomendo fortemente o TED da Brené Brown sobre isso: O Poder da Vulnerabilidade

O time precisa se conectar com quem lidera, e ninguém se conecta com uma máscara.
Rir junto aproxima. Chorar junto constrói laços. Você não precisa se expor além do necessário, mas reconhecer suas emoções — inclusive as que surgem com as fases do ciclo menstrual — é parte da sua força.


3. “Comunicação não é o meu forte”

Essa frase costuma vir com um tom de justificativa.
Foi o que aconteceu com uma líder recém-promovida que me confidenciou, quase se desculpando: “Eu sou boa executando, mas não sou boa de falar. Comunicação não é meu forte.” Perguntei quando ela começou a acreditar nisso.
Ela ficou pensativa e contou sobre uma cena da infância:
Na escola, era a melhor aluna da sala, mas nunca se voluntariava para falar.
Numa premiação, erraram seu nome e ninguém percebeu — nem os professores, nem os colegas. Ela guardou a ideia de que, mesmo sendo boa, não era vista.
E concluiu, ainda que inconscientemente: “Melhor ficar quieta.”

Essa história ficou guardada como verdade. E, desde então, ela passou a se esconder em suas habilidades técnicas — evitando exposição, fugindo de apresentações, se retraindo em reuniões.

A questão é que uma líder precisa ser vista e ser ouvida. Não por vaidade, mas porque carrega uma responsabilidade que exige clareza, presença e influência.

Falar em público pode ser o segundo maior medo universal, mas também é uma das habilidades mais poderosas que uma líder pode cultivar.


Quer aprofundar?

Se gostou do tema, compartilhei no meu canal do YouTube mais três crenças limitantes que afetam a liderança:

  1. “Feedback é horrível”
  2. “Bons líderes mantêm distância para serem respeitados”
  3. “Preciso me esforçar mais que todos para ser valorizada”

🎥 Assista ao vídeo completo no YouTube:

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Você já sabia do impacto que as crenças têm na sua liderança?
Se identificou com alguma dessas seis que trouxe?
(Sim, seis… porque você com certeza vai querer ver o vídeo!)

Protagonista, até a próxima.

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